“Não é prudente votar por antipatia, medos ou preconceitos, e muito menos por interesses escusos, particularistas e ocultos”, escreveu o bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferreria Paz, no artigo “Um Voto Prudente, Pacificador e Esperançoso”, publicado no dia 21 de outubro no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
“Diante da realidade da polarização e entrincheiramento (trincheiras cada vez mais blindadas) a vitória de qualquer candidato será apertada e ficará a outra parte como a quase metade do país”, continuou.
A dois dias do segundo turno, marcado para domingo (25), a pesquisa PoderData/Aya divulgada no dia 22, mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos, contra 49% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Os candidatos estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de 1,6 ponto percentual.
Dom Roberto pediu que os eleitores considerem as consequências sociais, culturais e internacionais da vitória de cada candidato, assim como seus efeitos para a paz.
“É verdade que não é só questão da pessoa do candidato, mas de projetos, alianças, trajetórias, ideologias e modelos políticos inspiradores”, escreveu.
“Pensemos qual dos candidatos tem mais chance pelo perfil da sua pessoa, de fazer acontecer a ‘cultura de negociação e do diálogo’ proposta pelo Papa Leão XIV para integrar a outra parte reconstruindo a unidade e a paz”, continua.
O bispo também manifestou preocupação com a possibilidade de um dos candidatos chegar a ter “o poder completo do Estado em suas mãos”. Segundo ele, esse cenário prejudicaria o sistema de contrapesos, a oposição e o pluralismo.
Dom Roberto não identificou a qual candidato se referia. Nas eleições de 4 de outubro, o PL, partido de Flávio Bolsonaro, conquistou as maiores bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado. A legenda terá 121 dos 513 deputados e 28 dos 81 senadores. Embora tenha as maiores bancadas, o partido não terá, sozinho, maioria em nenhuma das duas Casas.
No artigo, o bispo mencionou ainda a possibilidade de o próximo presidente nomear a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Pelas vagas atualmente previstas, o vencedor poderá fazer até quatro indicações para o tribunal, que tem 11 cadeiras. Três ministros atingirão a idade de aposentadoria compulsória no próximo mandato: Luiz Fux, em 2028; Cármen Lúcia, em 2029; e Gilmar Mendes, em 2030. A quarta indicação dependerá de a vaga deixada por Luís Roberto Barroso continuar aberta até o início do mandato. As escolhas precisam ser aprovadas pelo Senado.
Entre os critérios para o voto, dom Roberto também falou do multilateralismo, a diplomacia e a liberdade religiosa, mencionando o Acordo Brasil–Santa Sé, “lembrado no Bicentenário das relações da Igreja Católica com a República Federativa do Brasil, celebrado neste ano, que defende com muita firmeza o princípio de liberdade religiosa”.
Para o bispo de Campos, o eleitor deve considerar se o candidato preservará “a Constituição de 1988, que fará quarenta anos, guardando seus avanços no tocante a direitos humanos, inclusão e de garantias para o cidadão”.
Outro critério apresentado foi a promoção de uma cidadania plena, “garantindo segurança e paz com justiça social”.
O bispo também pediu que se avalie se o candidato “defenderá o cuidado da Casa Comum, protegendo o patrimônio nacional (terras raras, água, minérios, fauna e matas)”.
“É muito o que está em jogo, mas o mais importante é o bem comum de toda a população e de todas as gerações que virão pela frente”, concluiu. “Que Deus nos inspire para que na Terra da Santa Cruz reine o amor, a paz, a justiça e a compaixão. Paz e Bem para todos(as)!”.
Por: Nathalia Queiroz – acidigital







