A entrega do Brasil a Cristo “já começou no ano 1500, com a primeira missa”, disse à ACI Digital o bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferrería Paz. O bispo comentava a promessa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato a presidente, de decretar que o país pertence a Jesus Cristo caso seja eleito presidente.
Bolsonaro fez a promessa em vídeo publicado no X em 23 de agosto, ao justificar sua ausência no debate da Band. “Eu quero debater com quem não acredita em Deus, porque, quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, afirmou.
Em declarações à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, publicadas ontem (28), dom Ferrería falou da promessa do candidato e suas possíveis consequências para a liberdade religiosa.
Dom Roberto disse à ACI Digital que queria entender “o sentido da afirmação de que ele, por decreto, ia entregar o Brasil a Cristo”.
“A afirmação pode ser uma declaração de fé, mas, mesmo assim, estaria um pouquinho desconhecendo o fato de que a entrega do Brasil a Cristo não vai começar com ele. Já começou no ano 1500, com a primeira missa”, disse.
“Nós chegamos aqui em 1500 e podemos dizer que, também com os indígenas, ele estava entregue a Deus, através justamente da religião natural deles, das suas próprias religiões”, continuou. “Mas, através justamente da primeira missa, você fez a primeira entrega do Brasil a Cristo.”
Segundo dom Roberto, parece que “ele pensa que, de alguma forma, [o Brasil] não pertence [a Cristo] e que, a partir do exercício da presidência dele, vai pertencer, porque ele, como ato de governo, vai determinar isso”.








