Maior feira de negócios do café no Estado do Rio de Janeiro reforça o protagonismo da Cidade do Café na produção de cafés especiais e destaca a evolução da cafeicultura no Alto Noroeste Fluminense
Entre os dias 25 e 27 de junho, Varre-Sai, conhecida como a Cidade do Café, volta a ser o principal ponto de encontro da cafeicultura fluminense com a realização da Expo Café Varre-Sai, considerada a maior feira de negócios do setor no Estado do Rio de Janeiro. A expectativa é reunir mais de cinco mil participantes entre produtores rurais, técnicos, empresas, pesquisadores, estudantes e visitantes de diferentes regiões do Rio de Janeiro, além de Minas Gerais e Espírito Santo.
Ao longo dos três dias de programação, o público terá acesso a palestras, demonstrações de tecnologias, capacitações, exposições de equipamentos, oportunidades de negócios e espaços voltados ao fortalecimento da cadeia produtiva do café. A expectativa é que o evento movimente cerca de R$ 25 milhões em negócios, consolidando sua importância para a economia regional.
Mais do que uma feira de negócios, a Expo Café retrata a transformação vivida pela cafeicultura do Alto Noroeste Fluminense nos últimos anos. Com o trabalho contínuo de assistência técnica e extensão rural desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Regional do Interior, Pesca e Agricultura Familiar (Sedipaf), por meio da Emater-Rio, produtores que tradicionalmente comercializavam café como commodity passaram a investir em técnicas de manejo, colheita seletiva, processamento e pós-colheita, elevando significativamente a qualidade da produção e conquistando espaço no mercado de cafés especiais.
Essa evolução também resultou em um importante reconhecimento para a região: a Denominação de Origem (D.O.) Alto Noroeste, selo que identifica a procedência dos cafés produzidos no território e certifica características próprias de qualidade, reforçando a identidade regional e agregando valor ao produto.
Durante o evento, a Sedipaf, por meio da Emater-Rio, participa com um espaço dedicado ao atendimento aos produtores, orientação técnica e apresentação de ações voltadas ao fortalecimento da cafeicultura fluminense.
No último dia da programação será realizado o Campeonato de Cup Tasters, competição que desafia a capacidade sensorial dos participantes por meio de provas às cegas, nas quais os competidores precisam identificar, com rapidez e precisão, diferentes perfis de cafés especiais. Os três melhores colocados serão premiados.
Para o diretor técnico da Emater-Rio, Carlos Marconi, a Expo Café consolidou-se como um dos principais eventos do agronegócio fluminense justamente por refletir a evolução da cafeicultura regional.
“A Expo Café é hoje o grande encontro da cafeicultura do Estado do Rio de Janeiro. Ela reúne produtores, pesquisadores, empresas e instituições para compartilhar conhecimento, apresentar novas tecnologias e gerar oportunidades de negócios. Ao mesmo tempo, mostra o resultado de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos, em que a assistência técnica da Sedipaf e da Emater-Rio contribuiu para que muitos produtores elevassem a qualidade de seus cafés, agregassem valor à produção e conquistassem reconhecimento dentro e fora do estado.”
Histórias que ajudam a contar a evolução da cafeicultura
Mais do que movimentar cifras, a Expo Café reúne histórias de famílias que traduzem a transformação da cafeicultura regional. São produtores que preservaram a tradição familiar, investiram em inovação e hoje colhem os resultados da produção de cafés especiais reconhecidos nacionalmente.
É o caso da professora e produtora rural Clara Estefânia Murussi Fernandes, fundadora da marca Grão 17 Cafés Especiais. Quinta geração de uma família produtora de café, ela precisou tomar uma decisão difícil após a perda dos pais, em 2013: vender a propriedade ou dar continuidade ao legado familiar.
Ao lado do marido, decidiu permanecer no campo e reinventar a produção. O Sítio Grotas, localizado em Santa Clara, distrito de Porciúncula, passou a investir na produção de cafés especiais, contando com o acompanhamento técnico da Emater-Rio para aperfeiçoar todas as etapas da produção. O resultado veio rapidamente. Em 2023, seu primeiro lote especial conquistou o quarto lugar entre os melhores cafés do Alto Noroeste Fluminense. No ano seguinte, a propriedade alcançou o segundo lugar no município e, posteriormente, venceu a categoria de melhor café arábica para espresso durante o Rio Coffee Nation, competição que reúne cafés de todo o Brasil.
Hoje, além da produção familiar, três famílias trabalham na propriedade, incluindo equipes formadas por mulheres responsáveis pela colheita seletiva, etapa fundamental para garantir a qualidade da bebida. A marca Grão 17 nasceu com a participação dos filhos, estudantes da área de marketing, simbolizando a união entre tradição, inovação e sucessão familiar.
Outra história de continuidade é a do engenheiro químico Alexandre Fernandes Ramos, proprietário da marca Café Manduca.
Apesar da formação acadêmica e das experiências profissionais no exterior, incluindo um intercâmbio na Alemanha, ele decidiu retornar às origens para dar continuidade à tradição iniciada pelo tetraavô português, que chegou ao Brasil no século XIX.
Hoje, a família soma quase 200 anos de história na cafeicultura. Desde 2018, Alexandre passou a investir na produção de cafés especiais e implantou uma torrefação na própria propriedade, projeto desenvolvido com apoio da Emater-Rio, permitindo que toda a cadeia produtiva, da lavoura à torra, fosse realizada dentro da fazenda.
“Percebi que era possível unir toda essa tradição da família com tecnologia, gestão e inovação. Foi isso que nos trouxe até aqui e mostrou que é possível agregar valor ao café produzido na nossa região”, destaca.
Também em Santa Clara, o produtor Luís Américo Grilo transformou uma brincadeira de família em um negócio promissor. Descendente de italianos e produtor de café desde criança, ele sempre comercializou apenas o café em grão. A ideia de criar uma marca própria surgiu quando decidiu torrar pequenas quantidades para ajudar a custear a faculdade de Medicina da filha.
O que começou como uma produção modesta rapidamente ganhou mercado. Em apenas oito meses de funcionamento da torrefação, a marca Café LG já comercializa cerca de 1,5 tonelada de café torrado por mês e planeja ampliar a produção para até seis toneladas mensais.
Pai de cinco filhos, Luís resume com orgulho o significado do café em sua vida.
“Foi o café que construiu a nossa história. É ele que sustenta a nossa família e que está permitindo realizar o sonho dos meus filhos de estudar.”
As trajetórias de Clara, Alexandre e Luís representam centenas de famílias do Alto Noroeste Fluminense que vêm transformando a forma de produzir café. Com assistência técnica permanente da Sedipaf e da Emater-Rio, investimentos em conhecimento e adoção de novas tecnologias, a região passou a produzir cafés especiais reconhecidos em concursos e mercados cada vez mais exigentes.
Fortalecida pela Denominação de Origem Alto Noroeste, que certifica a identidade e o padrão de qualidade dos cafés produzidos na região, e tendo Varre-Sai como sua principal vitrine, a cafeicultura fluminense consolida uma nova fase, marcada pela agregação de valor, pelo protagonismo dos produtores e pela produção de cafés de excelência. É esse momento que a Expo Café celebra ao longo de seus três dias de programação.









