Decreto libera máquinas de apostas em bares do Rio com pagamento por Pix; entenda as regras

Psicanalista alerta que as videoloterias, semelhantes em aparência às máquinas caça-níqueis, podem intensificar o vício em jogos, agravado pela pandemia

Através de decreto publicado ontem no Diário Oficial, o governador Cláudio Castro (PL) autoriza a instalação, no Estado do Rio, de três tipos de equipamento para apostas: Video Lottery Terminals (ou VLTs, máquinas diante das quais os usuários costumam jogar sentados), totens e terminais. Os primeiros, em especial, podem até parecer com as tradicionais — e clandestinas — “slot machines”, mais conhecidas como caça-níqueis, mas a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), responsável por administrar, gerenciar e fiscalizar o jogo nos municípios fluminenses, alega, através de nota, que “a diferença é absoluta e fundamental”.

Maquininhas dos jogos de azar, que são ilegais, guardam, cada uma, um sistema gerador de números aleatórios, sem “integração com sistemas centrais de monitoramento, o que as torna mais suscetíveis a manipulações e fraudes”, afirma relatório produzido pela Loterj. Quando uma sequência é premiada, permanece no sistema e pode voltar a se e repetir. No equipamento regulamentado, cada sequência exibida na tela só poderá sair uma única vez. Além disso, os aparelhos de que trata o decreto serão ligados a uma central com monitoramento em tempo real, sujeito a certificação e auditorias independentes. O percentual de ganho vai variar de acordo com o jogo.

Estabelecimentos variados

A regulamentação permitirá, ainda, a instalação desses equipamentos em estabelecimentos comerciais diversos, como bares, ou temáticos, a exemplo dos chamados sports bar, que transmitem disputas em diversas modalidades esportivas. O programa que vai rodar nas máquinas ficará sob responsabilidade da Loterj. Para explorar esse mercado, a empresa precisará ser licenciada pelo órgão estadual e pagar uma outorga de R$ 5 milhões, com validade de cinco anos, além de repassar 5% da receita arrecadada para o governo do Estado. A expectativa é que a implantação desse novo sistema de apostas comece ainda em 2025.

O sistema funcionará com dois modelos. Em um deles, o usuário vai comprar uma espécie de bilhete virtual, que faz parte de uma série emitida pela Loterj, e, ao processá-lo na máquina, saberá na hora se foi premiado. Haverá ainda terminais para apostas esportivas em qualquer modalidade. Será possível fazer “aquela fezinha”, por exemplo, em quem fará o primeiro gol em uma partida de futebol ou na quantidade de cartões aplicados no jogo. Essa prática já é adotada nas empresas bet autorizadas pela União e em outros estados do país.

No caso dos VLTs, o sistema não permitirá apostas, por exemplo, em jogos de azar conhecidos, como o do tigrinho ou caça-níqueis virtuais. Mas nada impede que as máquinas apresentem aparência semelhante a outras já existentes. Os painéis, por exemplo, podem recorrer à exibição de símbolos repetidos, como números ou outras figuras idênticas, para anunciar uma premiação.

De acordo com o Instituto Brasileiro Jogo Legal, outras unidades da federação já regulamentaram a prática. Na Paraíba existem 4 mil terminais de apostas em loterias virtuais, e o Paraná abriga 2,5 mil unidades. Nesses estados, equipamentos são instalados em ambientes que lembram cassinos, nos quais os apostadores se sentam diante de máquinas dispostas lado a lado, em ambientes que ficam na penumbra, decorados com cores chamativas — e podem jogar sem parar.

O sistema funcionará com dois modelos. Em um deles, o usuário vai comprar uma espécie de bilhete virtual, que faz parte de uma série emitida pela Loterj, e, ao processá-lo na máquina, saberá na hora se foi premiado. Haverá ainda terminais para apostas esportivas em qualquer modalidade. Será possível fazer “aquela fezinha”, por exemplo, em quem fará o primeiro gol em uma partida de futebol ou na quantidade de cartões aplicados no jogo. Essa prática já é adotada nas empresas bet autorizadas pela União e em outros estados do país.

No caso dos VLTs, o sistema não permitirá apostas, por exemplo, em jogos de azar conhecidos, como o do tigrinho ou caça-níqueis virtuais. Mas nada impede que as máquinas apresentem aparência semelhante a outras já existentes. Os painéis, por exemplo, podem recorrer à exibição de símbolos repetidos, como números ou outras figuras idênticas, para anunciar uma premiação.

De acordo com o Instituto Brasileiro Jogo Legal, outras unidades da federação já regulamentaram a prática. Na Paraíba existem 4 mil terminais de apostas em loterias virtuais, e o Paraná abriga 2,5 mil unidades. Nesses estados, equipamentos são instalados em ambientes que lembram cassinos, nos quais os apostadores se sentam diante de máquinas dispostas lado a lado, em ambientes que ficam na penumbra, decorados com cores chamativas — e podem jogar sem parar.

Trata-se de uma versão eletrônica dos bilhetes que eram vendidos em papel. Cada empresa que for credenciada receberá da Loterj uma série numerada que será disponibilizada nos terminais de videoloteria. Ao acionar o botão de aposta, o resultado será exibido. A Loterj é que vai definir os prêmios máximos e valores intermediários. Mas, geralmente, a tiragem varia de 2 a 4 milhões de bilhetes. O apostador decidirá quanto vai jogar. As loterias têm oferecido como valores mínimo e máximo por aposta em média algo entre R$ 1 e R$ 20 — explica o presidente do Instituto Jogo Legal, Magnho José.

Riscos para o usuário

O psicanalista Artur Costa avalia que essas modalidade de loterias eletrônicas também são extremamente viciantes. Ele observa que a dependência do jogo se tornou mais frequente como reflexo do aumento dos níveis de ansiedade da sociedade, provocado pelo isolamento social com a pandemia de Covid.

— Quando alguém joga, o organismo libera dopamina, transmitindo sensação de bem estar. E no caso dessas maquininhas há ainda o fator de estar associada a uma loteria. No imaginário popular, ganhar em algum tipo de jogo desse tipo é visto como um desafio, uma oportunidade de melhorar de vida— diz o psicanalista.

Especializado em Direito Constitucional, o advogado Miguel Godoy, professor da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), elogia a necessidade de um cadastro criterioso, mas diz que a regulamentação poderia ter mais regras para evitar abusos.

— O governo perdeu a oportunidade de estabelecer medidas normativas que incentivem o jogo responsável e evitem o uso abusivo dos jogos em equipamentos físicos. Eu sugeri ao governo a adoção, por exemplo, de programas de autoexclusão, em que o apostador define sua própria exclusão quando atingir certo valor apostado, ou quando passar um tanto de tempo apostando — ressalta o advogado.

O advogado acrescenta que o Rio de Janeiro procurou suprir um vácuo que existe na regulamentação do jogo legal, previsto na lei federal 13.756, de 2018.

— Os VLTs são equipamentos físicos de apostas, semelhantes a caça-níqueis, mas conectados a um sistema central de loterias. Dessa forma, os VLTs operam como terminais eletrônicos lotéricos, com certificação e fora do escopo de cassinos, que continuam ilegais — afirma Godoy.

Transações via PIX

Segundo o governo, todas as transações — para apostar ou receber as premiações — feitas nas máquinas serão via Pix.

A busca pela regulamentação começou em fevereiro. A Loterj teve encontros com empresas que exploram esse tipo de jogo no Paraná, na Paraíba e em países como México e Estados Unidos. Representantes da loteria estadual também se reuniram com a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) para debater mecanismos contra fraudes e lavagem de dinheiro.

Em uma rede social, o presidente da Loterj, Hazenclever Lopes Cançado destacou que o projeto pode gerar até 65 mil empregos, além de fortalecer o turismo.

“Não é apenas uma norma. É a consolidação do maior mercado regulado de VLTs do mundo. Um marco que traz modernidade, segurança, responsabilidade, e gera oportunidades reais”, escreveu.

Em nota, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda reforça que “bingos e roletas não podem ser oferecidos por meio de totens, pois isso fere a legislação”, mas a oferta de pôquer requer análise caso a caso. O órgão diz ainda que as máquinas “podem ser oferecidas desde que obedeçam à legislação vigente oferecendo produtos que já estejam legalizados e que não firam legislação específica”. 

Já a Receita Federal (RFB) informou que foi procurada pela Loterj, mas que a autarquia fluminense e não debateu a instalação das máquinas:

“No contato com a RFB, além de ter sido esclarecido que o tema de jogos eletrônicos não é de competência do órgão, a Loterj apresentou algumas denúncias e a Receita, por sua vez, executou os encaminhamentos de praxe”, diz a nota da Receita. 

O que diz a Loterj: 

” O Rio de Janeiro avança historicamente ao implantar um modelo inovador de controle e rastreabilidade, que elimina qualquer possibilidade de manipulação, lavagem de dinheiro ou fraude. A expectativa é que a implantação comece ainda em 2025. Com o decreto em vigor, inicia-se a fase técnica, na qual os credenciados submetem os equipamentos físicos — tanto hardware quanto software — aos rigorosos requisitos de segurança, rastreabilidade e certificação. Antes da realização da(s) Prova(s) de Conceito, deverão indicar a localização geográfica das Lojas VLTs, Sports Bars ou estabelecimentos não exclusivos onde os terminais serão instalados. Importante reforçar que a Loterj atua exclusivamente como órgão regulador e não comercializa equipamentos.

Essa modalidade está prevista em legislação federal e inclui o conceito de ‘Sports Bars’, inspirado em mercados internacionais regulados e maduros. São ambientes temáticos e seguros, projetados para oferecer uma experiência completa e regulada, exclusiva para maiores de 18 anos.

A Loterj receberá 5% do GGR (Gross Gaming Revenue), conforme previsto no Edital de Credenciamento nº 001/2023. O estado do Rio de Janeiro não admite, em sua regulamentação, jogos ilegais ou improvisados. 

Cada aposta será registrada com horário, local, CPF e valor apostado, tornando o sistema à prova de fraudes e monitorado 24 horas por dia. As apostas terão valores acessíveis para que o público maior de 18 anos possa participar com responsabilidade. O sistema de autenticação utilizará QR code e biometria facial, integrados ao cadastro, permitindo a personalização dos limites para cada jogador — um mecanismo essencial para coibir excessos, garantir o jogo responsável e proteger os apostadores.

O que foi construído no Rio de Janeiro é ainda mais avançado, incorporando biometria facial e Pix como método exclusivo de pagamento. Nenhum outro estado brasileiro possui um arcabouço legal e técnico tão robusto quanto o nosso

A implantação dos VLTs representa uma verdadeira revolução econômica para o Rio de Janeiro, com a geração de cerca de 65 mil empregos, abrangendo setores como tecnologia, segurança, operação, atendimento, marketing, logística, construção civil e administração.

Esses novos polos também serão grandes motores do turismo, atraindo visitantes e fortalecendo setores como hotelaria, gastronomia, transporte e eventos — um impulso decisivo para a economia local.”

Fonte: O GLOBO

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