Idosos são isolados em escola em Itaocara após 16 testarem positivo e três morrerem vítimas da Covid-19

Três funcionários do Lar de Idosos de Itaocara também foram contaminados. População denuncia problemas na estrutura da escola e Prefeitura diz que não há impedimentos para uso da unidade.

Dezesseis idosos e três funcionários do Lar de Idosos de Itaocara, no Noroeste Fluminense, foram infectados pelo novo coronavírus. Três idosos morreram e 13 deles estão isolados há 9 dias em uma escola municipal na cidade.

De acordo com a Prefeitura, na próxima terça-feira (14), encerra o período de quarentena e novos exames serão feitos para saber se eles poderão retornar ao asilo.

A transferência deles para a unidade escolar causou indignação dos moradores do município que denunciam as condições da estrutura do espaço. A Escola Municipal Teotônio Brandão Vilela, para onde os idosos foram levados, está com umidade nas paredes e pintura em estado precário de conservação.

Segundo Thiago Caetano, um dos moradores que esteve no local antes da mudança dos infectados, o espaço não possui estrutura adequada para o isolamento.

“Eu entrei nas salas onde os idosos iriam ficar e me deparei com descaso do prédio. Nós somos contra a entrada do pessoal naquele prédio pela estrutura estar completamente comprometida”, alertou.

Além dos problemas na estrutura, também surgiram denúncias sobre a restrição de comunicação de familiares com os idosos.

“Nada foi passado. Teve gente de Friburgo que tava querendo saber notícia pela gente, pela população”, disse uma mulher que não quis ser identificada.

A secretária municipal de Saúde, Cátia Andrade, disse que não há impedimento para utilização da unidade.

“Não vejo motivo nenhum para que a escola não atenda aqueles idosos neste período de quarentena, até porque a gente precisava de um local amplo e arrumar uma casa, com quintal grande, arejado, como a escola, a gente não conseguiria”, explicou a secretária.

Apesar da contaminação, o diretor do Lar dos Idosos, Lucas Nunes, afirma que todos os protocolos foram seguidos pelos responsáveis.

“Buscamos todos os meios possíveis, como entrega de EPIs para nossos funcionários, treinamentos para que eles não entrassem com roupas da vida aqui fora lá pra dentro, só que, infelizmente, aconteceu de aparecer esse vírus tão maldito lá dentro”, disse Nunes.

Uma publicação nas redes sociais do Lar, no dia 26 de abril, mostra que os idosos são bem cuidados no local, mas mostra funcionários sem máscara. Na época, o uso do equipamento de proteção ainda não era obrigatório, mas já era recomendado por um decreto municipal publicado no dia 22 de abril.

Questionada sobre a dificuldade no contato com os familiares, a direção do Asilo negou que aconteça este problema e disponibilizou o telefone (22) 3861-2290, para que outros esclarecimentos possam ser feitos aos familiares.

Fonte : G1 – NICKOLAS ABREU

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